domingo, 29 de maio de 2011

"FAÇA O QUE EU DIGO, MAS NÃO FAÇA O QUE EU FAÇO."

Será que alguém, em pleno século XXI, ainda faz ecoar esse dito popular de alguma forma?

Por Angelo Maciel.

Canavieiras presenciou nesta penúltima quarta-feira, dia 18/05/2011 uma passeata realizada por sua Prefeitura em parceria com a Secretaria do Bem Estar Social, cujo intuito era fazer com que a comunidade canavieirense voltasse suas atenções para a questão da Exploração Sexual da Criança e do Adolescente, incentivando a todos que ouviam, que denunciassem esse tipo de comportamento funesto. A iniciativa parece ter surtido efeito. Muitas pessoas reunidas, dentre elas alunos professores, líderes religiosos, líderes comunitários, políticos e outros que acompanhavam bem de perto todo aquele movimento.
Para tal realização, foram utilizados carros e motos com equipamentos de som, possibilitando, através de músicas e discursos realizados durante a caminhada, que essa mensagem chegasse ao maior número de pessoas possível.

Porém, foi exatamente no momento em que as músicas começaram a serem tocadas que toda a “coisa” parece ter começado a degringolar. A passeata tinha como tema principal denunciar a exploração sexual da criança e do adolescente, no entanto as músicas que crianças e adolescentes haviam ensaiado para apresentarem durante o evento estavam simplesmente cheias de duplo sentido, como por exemplo: “o jeito é dar uma fugidinha com você, o jeito é dar uma fugidinha com você, se você quer saber o que vai acontecer primeiro a gente foge depois a gente vê”, e uma boa parte dessas crianças e adolescentes envolvidos nos projetos supervisionados pela Secretaria do Bem Estar Social estavam totalmente expostos aos olhares de quem quisesse ver, demonstrando toda a sua sensualidade.
Com certeza, a intenção de quase todos era propagar a mensagem de cuidado com nossas crianças e adolescentes, porém quem garante que no meio de tantos transeuntes não havia um pedófilo com más intenções, quem garante que no meio de tantos líderes não havia pessoas querendo simplesmente, promoção pessoal, sendo assim a expressão “quase todos” ganha uma explicação, mas a atitude de colocar ou permitir crianças e adolescentes dançando músicas de duplo sentido usando roupas que claramente expõem seus corpos inocentes fica sem uma explicação óbvia e atenuadamente sem sentido.
Não estamos falando contra a cultura de um povo (nesse caso as músicas e danças), não é contra o movimento realizado, não é contra a Prefeitura e a Secretaria do Bem Estar Social, não é contra a política ou os políticos, mas a favor do mínimo de ordem, decência, senso, compromisso e progresso.
Cansamos de ouvir das diversas linhas de pensamento, uma mesma ideia, algo muito difícil nos dias de hoje, pois sempre há muita discordância entre assuntos iguais, filósofos, historiadores, sociólogos, teólogos, todos debatendo vários pontos da vida, porém em um, parece que todos esses e muitos outros estudiosos de outras áreas concordam, nos dias de hoje não cabe mais o faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço, mas ao contrário disso, faça o que eu faço, siga meu exemplo.
Contudo parabéns para a Prefeitura e a Secretaria do Bem Estar Social pela iniciativa, e os pêsames pela forma de realização.

Um comentário:

  1. Por mais que tenha sido uma boa atitude a da prefeitura, não vai ser alguns cartazes mal feitos e um bando de crianças/jovens/adolescentes que vai diminuir o índice de exploração sexual, principalmente quando a própria manifestação mostra certas atitudes contraditórias. Não foram só a parte da música e coreografia, mas até mesmo com as músicas infantis que tocavam nas "motos de som" alguns dançavam de forma obscena, tirando totalmente o propósito do evento. Acho que um acontecimento como esse deveria ser mais organizado, pois não é um assunto simples. Concordo plenamente com o que o Professor Angelo disse, chega de hipocrisia, afinal o "faça o que eu digo e não faça o que eu faço" é um dos ditados mais errados.

    "Contudo, parabéns para a Prefeitura e a Secretaria do Bem Estar Social pela iniciativa, e os pêsames pela forma de realização" 2

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